XII Encontro Nacional Opel Clássico

Nos passados dias 13 e 14 de Setembro, "Por terras de Santa Maria da Feira" realizou-se o 12º Encontro Nacional do Clube Opel Clássico de Portugal.

Organizado pela Delegação Norte do Clube, sob impulso do sócio Filipe Soares, este encontro pautou-se de um cariz vincadamente cultural e contou com a presença de 22 viaturas clássicas da Opel (período de 1938 a 1993) e cerca de 45 participantes. O encontro iniciou-se com a concentração em frente à Câmara Municipal e com a simpática presença de agentes da PSP, a quem agradecemos a colaboração dispensada.

Uma breve deslocação a pé levou os cerca de 40 participantes até ao Museu Vivo da Fogaça, onde ficaram a conhecer um pouco da história que flagelou as gentes feirenses com a peste no ano de 1505. Desta tragédia nasceu a história da fogaça, pois o seu povo prometeu que todos os anos ofereceria a S. Sebastião este “pão doce” se a peste acabasse. E certo foi que assim aconteceu; a tradição permanece até aos nossos dias e todos os anos a 20 de Janeiro realiza-se a procissão das fogaças.

Neste agradável espaço inaugurado em 2012, que incluiu o fabrico de diversa confeitaria, entre os quais os “caladinhos”, que foram por todos degustados, até à característica fogaça o grupo teve oportunidade de observar alguns do segredos do fabrico da fogaça, gentilmente demonstrados pela gerência e seus colaboradores.

De seguida, os participantes com os seus clássicos percorreram escassos quilómetros até chegarem ao Castelo de Santa Maria da Feira que remonta ao Séc. XI. Foram presenteados com um vídeo explicativo da história do Castelo e da sua importância em tempos para a história do país, assim como das suas remodelações, fruto do avançar dos séculos e atualmente das obras de conservação que se revelaram uma agradável surpresa para os Opelistas, que se dedicaram a explorar este belo exemplo de arte castrense.

O destino que se seguiu foi Santa Maria das Lamas, onde, após um excelente repasto no “Aquarela”, os participantes deliciaram-se com a descoberta do Museu de Santa Maria de Lamas, doado à vila em 1955 por Henrique Amorim. O seu espólio de talha dourada e de trabalhos em cortiça é único em Portugal e revelou-se uma excelente surpresa!

A tarde prosseguiu numa freguesia vizinha, onde a Natureza imperou, com a visita ao Parque Ornitológico da Lourosa, onde a “diversa passarada” desde os magníficos flamingos rosa, passando pelas araras, catatuas (bem) falantes, avestruzes, cisnes, pelicanos, etc., encantou os Opelistas, proporcionando momentos de descontracção e boa disposição.

O primeiro dia do 12º Encontro Nacional terminou em S. João da Madeira, com jantar e pernoita no hotel WR.

O soalheiro domingo levou a caravana Opel Clássico até à antiguidade, com a visita ao Castro de Romariz, monumento que remota à última fase da Idade do Bronze  (900 – 700 A. C.). As construções dos castros localizavam-se no cimo de montes e estruturavam-se em pedras em círculos. As competentes explicações de uma repre sentante da Câmara Municipal de Sta. Maria da Feira proporcionaram uma melhor visão sobre as actividades das gentes de outrora que habitaram o monte, bem como as actividades de arqueologia, que apesar das dificuldades, se vão fazendo, permitindo historiar este local.

O final da manhã passou-se em Paços de Brandão no Museu do Papel de Terras de Santa Maria, museu este também único em Portugal e já vencedor de vários prémios.

O Dr. Silva Marques, Diretor do Museu, proporcionou-nos uma entusiasmada e detalhada explicação sobre o fabrico do papel que, para espanto de muitos, começou por ser fabricado a partir de… farrapos de tecido. Para o demonstrar, não só produziu, ele próprio, uma folha de papel da pasta líquida usando métodos e utensílios antigos, como proporcionou ao COCP, através do seu Presidente, a obtenção também de uma folha de papel, que certamente passará a fazer parte do espólio do Clube. Prosseguindo pelo espaço do Museu e observando as sucessivas etapas da produção de papel, com a utilização de utensílios, engenhos e maquinaria de época, a que não faltou uma azenha movida a energia hidráulica, culminamos com o fabrico de sacos de papel que, antes do aparecimento do plástico, serviam para tudo embalar, desde café, ao arroz e feijão, caramelos, etc. Foi decerto para todos uma magnífica viagem por artes e manufaturas antigas, trazendo-nos belas memórias.

Com hora de almoço já avançada, os opelistas partiram nos seus clássicos para o almoço no restaurante Cruz de Malta em Rio Meão. As abundantes entradas acalmaram os estômagos já carentes, rematados por uma boa vitela e doçaria a condizer.

Aqui também houve espaço para o “Concurso de Elegância”, onde foram distinguidos pelos entendidos sócios do clube os veículos que mais agradaram aos participantes (Kadett de 1938, Kadett A de 1964 e Rekord C Coupé de 1967), seguiu-se a entrega da placa comemorativa do 12º Encontro, bem como a surpresa da oferta de uma fogaça, que foi, afinal, o mote para este encontro.

Findo mais um excelente convívio da Família Opel Clássico, todos rumaram a casa, esperando o almoço de Natal e até lá, os encontros informais mensais.

Os nossos agradecimentos ao Museu Vivo da Fogaça,  Museu de Santa Maria de Lamas, Museu do Papel, à GM Portugal que mais uma vez nos apoiou no transporte de viaturas entre a Auto Vihedo na Abrunheira-Sintra (obrigado, D. Otília!) e a Auto Industrial em Rio Tinto (obrigado Sr. Pedro Santiago e Sr. Armando).

O grande obrigado final aos nossos sócios Filipe Soares e Ana Carvalho que idealizaram e organizaram o Encontro.